Facebook Twitter Instagram

sexta-feira, 7 de março de 2014

Fit Friday: Avaliação da composição corporal - Dobras cutâneas em foco

Mais importante que os números da balança é a avaliação da composição corporal, tanto para aqueles que objetivam emagrecer, como para quem deseja ganhar massa magra. Já abordei um pouquinho sobre esse assunto em outra matéria (leia AQUI), mas na FitFriday de hoje o tema será aprofundado e você entenderá como pode avaliar a sua composição corporal. 

A avaliação da composição corporal pode ser feita em diferentes níveis, incluindo desde análises de átomos, moléculas e células, até a avaliação dos tecidos (muscular, adiposo ou “gorduroso”, ósseo, etc.) e do corpo como um todo (morfologia, distribuição). De forma geral, a avaliação desses dois últimos níveis é a mais pertinente para a prescrição de exercícios e acompanhamento da evolução do indivíduo. Nestes níveis, alguns métodos são utilizados para avaliar o corpo em dois, três ou quatro componentes ou "compartimentos" principais. As dobras cutâneas (aquele método que você já deve ter experimentado ou observado em avaliações nas academias), por exemplo, avalia a massa gorda e a massa magra ou massa “isenta de gordura” (esta seria tudo aquilo que não é tecido gorduroso, ou seja, músculos, ossos, água, etc.); enquanto a densitometria (equipamento que realiza um tipo de scanner do seu corpo) avalia a massa gorda, a massa óssea, a água corporal total e a massa magra.

Também existem outros métodos, como a bioimpedância (equipamento similar a uma balança que gera uma corrente elétrica imperceptível ao homem, estimando a densidade corporal a partir da resistência encontrada para passar pelos tecidos). Porém, o foco desta matéria será as dobras cutâneas por ser o método de avaliação mais comumente utilizado, especialmente em academias. Consiste basicamente em levantar a pele e a camada de gordura com os dedos polegar e indicador em pontos anatômicos previamente definidos. Assim, a avaliação da composição corporal por meio das dobras cutâneas está diretamente relacionada ao depósito de gordura subcutânea. Obtendo-se a medida das dobras (em milímetros), estima-se a densidade corporal por meio de uma equação matemática específica (existem vários tipos conforme diferentes autores que consideram determinada população, sexo, idade, etc.) e, a partir dela, estima-se a composição corporal (percentual de gordura) por meio de outra equação (a mais comum é a equação de SIRI). Por isso, o método é considerado “duplamente indireto”, pois faz uma estimativa a partir de outra estimativa. O único método que poderia avaliar precisamente a composição corporal de um indivíduo seria a dissecação de cadáver, o que não é nada conveniente, certo?! Portanto, todos os demais métodos existentes são indiretos ou duplamente indiretos.

Geralmente as dobras cutâneas são avaliadas juntamente com medidas de circunferências corporais a fim de auxiliar a estimativa da quantidade de massa muscular, para além da estimativa do percentual de gordura corporal. Chama-se essa associação de "circunferência corrigida", sendo comum utilizá-la para estimar a concentração muscular na região do braço (na circunferência corrigida do braço ou circunferência muscular do braço, a circunferência do braço relaxado é subtraída da dobra cutânea do tríceps e, em alguns casos, dependendo das equações utilizadas, essa diferença é multiplicada pelo percentual de "Pi" - 0,314).

Vantagens da avaliação da composição corporal por meio das dobras cutâneas: trata-se de um método de avaliação rápido, pouco invasivo, aplicável a um grande número de pessoas e que necessita apenas de um compasso de dobras cutâneas ou plicômetro. Balanças, estadiômetros e fitas métricas são utilizados para complementar a avaliação do indivíduo. Entre as desvantagens, pode-se apontar a fragilidade na precisão (por ser um método que estima a partir de outra estimativa) associada também ao treinamento do avaliador e a calibração do plicômetro. Por isso, recomenda-se que as avaliações sejam repetidas com o mesmo avaliador e equipamento e que sejam realizadas no mínimo duas medidas de cada dobra, sendo que se forem observadas diferenças de mais de 1mm, deve-se repetir mais vezes. O período do dia da avaliação geralmente não influencia nos resultados, mas a desidratação ou a retenção de líquidos pode interferir.

Os locais de realização das dobras e a quantidade das que serão avaliadas para estimar a densidade corporal e, posteriormente, a composição corporal, dependem do protocolo de avaliação que inclui uma equação matemática específica conforme mencionado anteriormente. Alguns exemplos de protocolos mais comuns são: o de Guedes (1998) - considera em sua equação três dobras para homens (tricepital, supra-ilíaca e abdominal) e outras três para mulheres (coxa, supra-ilíaca e subescapular); e o de Pollock e colaboradores (1984) na versão de três dobras (triceptal, supra-ilíaca, coxa) ou de sete dobras (triceptal, subescapular, supra-ilíaca, abdominal, axilar medial, peitoral, coxa). Não colocarei as equações aqui porque são uma loucura (risos) e a explicação é só para vocês terem uma noção, mas se alguém se interessar me diga que eu envio. A partir da densidade corporal, estimada por uma das equações destes protocolos, utiliza-se a equação geral (ou de siri) para estimar o percentual de gordura corporal (essa é mais simples, então colocarei): %GC = (4,95/densidade corporal) – 4,5) x 100.

Portanto, conhecendo a estimativa do seu percentual de gordura você pode estimar outros componentes corporais, como:
- Peso de gordura em kg = (Peso corporal total em kg x %GC) / 100
- Massa corporal magra em kg = Peso corporal total em kg – Peso de gordura em kg

O percentual de gordura ideal depende de cada indivíduo, mas, em geral, valores muito baixos, como menores que 10 ou 8% em mulheres podem alterar funções fisiológicas, relacionadas à menstruação por exemplo.

Espero que tenham conseguido entender como se chega ao famoso percentual de gordura por meio das medidas de dobras cutâneas, as quais constituem um dos métodos mais comumente utilizado para avaliação da composição corporal. Dúvidas estou à disposição! Informações sobre consultorias online de treinamento, orientadas por mim, pelo e-mail: saudeempratica@gmail.com

Obs.: Imagem de fundo da capa desta publicação retirada do google imagens

0 comentários:

Obrigada pelo comentário e pela visita! Volte sempre!

© 2014 Saúde em Prática. WP Wildweblab converted by Bloggertheme9